O Maior Risco para a Saúde Mental Não É o Estresse — É a Desconexão Emocional

O maior risco para a saúde mental nas empresas pode não ser o estresse.

Pode ser algo muito mais silencioso.

Peter Levine, um dos maiores especialistas em trauma do mundo, usa uma metáfora provocadora para descrever a sociedade atual: “botox em massa”.

Não se trata de estética.

 

Ele se refere a um fenômeno cultural em que aprendemos, pouco a pouco, a neutralizar nossas emoções para continuar funcionando.

E isso não nasce apenas nas empresas.

 

Nasce também na forma como fomos educados como sociedade.

Desde cedo muitos de nós aprendemos que, para sermos aceitos e reconhecidos, precisamos:

• esconder o cansaço

• controlar emoções

• evitar demonstrar vulnerabilidade

• manter sempre uma aparência de força.

 

Quando entramos no mundo do trabalho, muitas vezes apenas reproduzimos esse modelo que já carregamos dentro de nós.

Por isso, quando falamos de saúde mental nas organizações, é importante reconhecer algo fundamental: não se trata de encontrar culpados.

Empresas, líderes e colaboradores fazem parte de uma mesma cultura mais ampla.

 

A ciência tem ajudado a iluminar esse fenômeno.

Stephen Porges, criador da Teoria Polivagal, mostra que o sistema nervoso humano responde constantemente ao ambiente em busca de sinais de segurança. Quando esses sinais são escassos, o corpo ativa respostas de sobrevivência como luta, fuga ou congelamento.

 

Muitas pessoas no trabalho vivem exatamente nesse estado: funcionam, entregam resultados, mas sob tensão constante.

Gabor Maté também destaca que o estresse crônico surge muitas vezes quando precisamos suprimir nossa autenticidade para manter pertencimento.

 

É nesse ponto que começam a aparecer os chamados riscos psicossociais:

• esgotamento emocional

• ansiedade

• desengajamento

• conflitos silenciosos

• aumento de afastamentos.

 

Por isso, quando apoiamos empresas na construção de estratégias de saúde mental — inclusive no contexto da gestão de riscos psicossociais prevista pela NR-1 — um ponto se torna essencial: antes de implementar programas, é preciso ampliar a consciência sobre as crenças invisíveis que moldam nossa relação com o trabalho.

 

Porque muitas dessas crenças não estão apenas nas organizações.

Elas vivem dentro de cada um de nós.

Crenças como:

• “preciso dar conta de tudo”

• “mostrar cansaço é fraqueza”

• “colocar limites pode custar caro”

• “meu valor depende do meu desempenho”.

 

Sem olhar para esse nível mais profundo, qualquer mudança corre o risco de virar apenas mais uma política corporativa.

Mas quando a transformação começa pela consciência — individual e coletiva — criamos um solo fértil para mudanças reais na cultura do trabalho.

 

E então saúde mental deixa de ser apenas um tema de cuidado.

Ela passa a ser uma estratégia de sustentabilidade humana e inteligência organizacional.

 

Na consciência que cada um de nós leva para dentro do trabalho.

 

Quais crenças invisíveis sobre o trabalho estão moldando a forma como você lidera — e, ao mesmo tempo, moldando a cultura da sua empresa?

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A Nova Liderança Começa Pela Consciência, Não Pelos Programas